A pretexto de combater a corrupção, defender o patrimônio público e
acabar com a impunidade, alguns membros do Ministério Público auto-proclamaram-se
integrantes duma "falange" e assim se consideram investidos de
superpoderes, lançando contra todos os que se lhes oponham a pecha de
"representantes das trevas", numa perigosa tentativa de reedição de métodos
medievais para apuração de faltas e aplicação de penalidades.
A recente reunião "reservada" entre três membros do
Ministério Público Federal e um Senador da República; sua gravação por um dos
Procuradores, com divulgação de seu teor por órgão de mídia impressa; a notícia de
destruição das fitas; e os depoimentos dos três Procuradores à Comissão de Ética do
Senado Federal, são fatos que devem levar a uma reflexão sobre os imprescindíveis
limites de atuação do Ministério Público, sem o quê, ao contrário de segurança,
moralidade, ética e justiça, ter-se-á o império do arbítrio.